domingo, 4 de setembro de 2011
Cansaram os ouvidos, os dizeres.
Perdia-se no ar, assim, aos poucos. Elas abriam as mãos e deixavam escapar por entres os dedos. Escorria para os pés. Esvaia o peso do sentir-se leve. Subjetivo dissolvido.
quinta-feira, 1 de setembro de 2011
domingo, 14 de novembro de 2010
Ela sempre fora muito resguardada. Não comentava detalhes sobre sua juventude antes de conhecê-lo. Guardava segredos que ele também não fazia questão de saber, já que também camuflava os seus com todo o cuidado para não transparecer. Escondiam o passado como se escondessem crimes.
E assim viviam suas vidas retratadas em dias, meses, anos. Distanciavam-se cada vez mais entre si. Se distanciavam cada vez mais do passado particular de cada um, já que o tempo se encarregava em deixar para trás as épocas de mocidade. E sorriam enquanto dormiam. Recordavam-se todas as noites e deliciavam-se de lembranças. Lembranças suficientes que satisfaziam desejos.
sábado, 13 de novembro de 2010
E aquele universo todo diante dos meus olhos me engolia mais e mais a cada passo que eu andava. O mundo é uma bolha gigante sem saída. E eu estava lá dentro também, sem ter pra onde correr, pra onde fugir e esconder de mim aqueles pensamentos em estado de ebulição. Os movimentos, os sons, as luzes das lâmpadas me invadiam sem cessar, sem autorização. Eu não fazia parte de nada, ao mesmo tempo que me engoliam por inteiro.
E num outro instante, como se um rio invertesse o rumo de suas águas, minha formulação de idéias excêntricas inverteram-se. Afinal, eu também engolia tudo ao meu redor. Sugava as pessoas, afogava-as, fazia delas a minha base, a minha felicidade egocêntrica, a minha ilusão egoísta e me satisfazia delas para curar feridas, sem perceber o quanto isso as esfolavam por dentro.
Pode ser incompreensível demais. Talvez uma admissão de loucura. Talvez todas as circunstancias e fatos vividos nos últimos tempos tenham me levado ao limite da sanidade. Mas dessa vez não se trata de fraqueza, de medo, de insegurança. Trata-se de proteger os sentimentos, tanto meus, quanto os seus, quanto os deles. Trata-se de motivos coerentes, de me arriscar para ninguém mais correr os riscos que me pertencem, que são resultados dos meus erros e acertos.
Chegou o momento onde é preciso isolar-se. Sentir-se fora do meio, longe da multidão corrompida. É preciso me encontrar, me entender, me sentir. É preciso recompor meu espírito, recompor minha vida, curar as feridas e redimir os crimes cometidos àqueles que amo e que quero bem, mesmo na distancia.
quarta-feira, 15 de setembro de 2010
"E no fim..."
As dúvidas ainda estão formuladas dentro de um ponto de interrogação gigante. Compreender motivos e causas, talvez seja um consolo, no entanto, algumas situações as vezes testam nossa capacidade de defesa dos próprios sentimentos. De fazer entender por si só o que ocorre dentro da gente, dentro de outra pessoa.
“E no fim é você contra você mesmo.”
[...]
P.s: esboçado em 14 de setembro.
terça-feira, 10 de agosto de 2010
cheiro do gosto
Intenso como há de ser o relâmpago ofuscando a noite escura, desbravando horizontes em que a distancia não se mede com a palma das mãos.
É um grito alto de dor ou um riso alegre onde não se ouve nada.
É o farfalhar de folhas, é o liso inocente da pétala do lírio.
Um sorriso entre lágrimas,
Um olhar de cigana desconfiada.
Uma taça de vinho suave que te provoca querendo te embriagar.
É sentir o que não se descreve,
É o cheiro do gosto.
O gosto de agridoce.
quinta-feira, 8 de julho de 2010
Além
Um dia cheio de mim, na minha mais interna felicidade. O auge de toda delícia em degustar-se da própria existência. Pode parecer narcisismo absurdo ou egoísmo extremo, mas não resumo de forma tão superficial. É muito além de pejorativos formais. É minha inquietude introspectiva que dilacera minha sensibilidade mais aguçada em perceber os detalhes minimalistas camuflados no meio do que é obviamente sensato se notar. Trepadeiras floridas, telefones públicos enferrujados, ou as cores vibrantes do jardim de rosas da senhora que as rega tão cuidadosamente todas as manhãs. Palavras doces que surpreendem, telefonemas especiais e inesperados. E assim foi o decorrer desse dia tão extasiante, uma constante harmonia positiva.
E por mais que existam ciscos de coisas que às vezes incomodam e tentam destruir toda essa calmaria, tento me desprender do desnecessário. E sorrio porque percebo que posso ir mais alem do que acoberta a casca, a superfície seca e áspera. Uma sabedoria que só é encontrada dentro de si. E só compreende quem tem a coragem necessária de saborear o desconhecido, de mergulhar-se.
